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SIGNIFICADO DO SÍMBOLO DA CONTABILIDADE
Mercúrio era um deus da mitologia romana, que tinha sobre seu
protetorado várias coisas, dentre elas, o comércio. Era filho do
deus Júpiter (o maior), e o mensageiro de todos os deuses, em razão
de sua grande agilidade (simbolizadas pelas duas asas que ladeiam
seu capacete) e de dispor da confiança da máxima divindade.
O caduceu era um bastão de ouro que Mercúrio recebera em troca de
instrumentos musicais que inventara (a lira e a flauta) e que haviam
maravilhado a Apolo (que detinha poderes e conhecimentos mágicos e
era o titular do caduceu). Não só Mercúrio trocou os objetos como
exigiu de Apolo que lhe repassasse segredos de magia, notadamente,
da adivinhação.
O caduceu passou a ser símbolo dos atributos de Mercúrio, e este,
de tal forma aprofundou-se na adivinhação, que passou a conhecer a
sorte de outros seres pelo jogo de pedras (semelhante ao de búzios).
Mais tarde, usando o capacete de Hades, Mercúrio tornava-se invisível,
e assim, prestou grandes serviços a outros deuses, entre outras
coisas, derrotando e matando o temível gigante Hipólito. Tais vitórias,
transformou o habilidoso Mercúrio no principal intérprete da
vontade divina. Por esta razão ele era, também, o mais ocupado de
todos os deuses da mitologia.
Muitas outras atribuições e protetorados a mitologia confere a
Mercúrio. Ao tomar o caduceu como seu símbolo, ele também
tornou-se o símbolo de tudo o que protegia, inclusive o comércio.
Como a Contabilidade Comercial foi a ciência mais importante
durante milênios, é justificável a adoção de Mercúrio como
patrono da Contabilidade. A própria literatura contábil atesta
essa predominância - a primeira obra impressa de contabilidade
industrial surgiu no início do século XVII - e os locais onde se
ensinava a contabilidade eram denominados "Escolas de Comércio".
Em Portugal (século XVIII), quando iniciou-se o ensino da
Contabilidade, em escolas onde se formavam os Contadores que vinham
para o Brasil, o processo didático denominava-se "Aulas de Comércio".
Ainda hoje possuímos os colégios comerciais, formando técnicos em
Contabilidade. Essa poderosa associação de "Aulas de Comércio",
"Escolas Técnicas de Comércio", "Escrita
Mercantil", "Livros Comerciais" (expressões do
Direito), justifica a adoção de Mercúrio, como evocação
representativa, e do caduceu - representante simbólico desse mesmo
Deus - como símbolos da Contabilidade.
O caduceu, todavia, por muito tempo, também simbolizou a indústria,
e foi representado por um ramo de oliveira ou de loureiro no qual se
enrolavam duas serpentes. Para o anel do contabilista adotou-se o
caduceu estilizado, ou seja, o que possuía o bastão de Apolo que
Mercúrio trocou pelos instrumentos de música, envolvido por duas
serpentes e encimado pelo capacete que tornava o deus invisível,
ladeado de duas asas que representavam a velocidade e a agilidade
desse mesmo deus. Em simbologia tudo se permite.
O que o caduceu evoca, para os contabilistas, é o respeito à
divindade (ainda que mitológica) e à sugestão de que ele possa,
tal como o deus Mercúrio, proteger as riquezas com a nossa própria
sabedoria. Nesse caso, fazemo-nos representantes de Mercúrio ao
proteger o comércio (no sentido amplo de todas as atividades, pois
o próprio Mercúrio também servia a todos) com a nossa orientação,
zelo e uso de uma ética que vai até onde for necessário para
defendermos os interesses dos empreendimentos.
Mercúrio era tido como o deus inventor da Escrita Contábil. Tal é
a plenitude de nossa ação, pois o caduceu que estilizamos absorve
não só o bastão de ouro, mas, também, o capacete e as asas, ou
seja, tudo o que Mercúrio utilizava para proteger os
empreendimentos. O caduceu nos sugere a responsabilidade de ampla
proteção ao patrimônio dos empreendimentos, de modo a ensejar a
eficácia das células sociais, e pela soma delas, a felicidade das
sociedades humanas.
Essa condição, somada ao respeito às leis, completa a simbologia
das laterais de nosso anel profissional, de alta relevância e
características do dever profissional.
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